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A moda existe como forma material de resgatar sentimentos descansados.
Sempre me relacionei com a moda de forma muito individual. Eu era uma criança sensível, que observava o mundo e as relações e absorvia tudo de forma profunda e intensa. Nesse contexto, a roupa sempre acompanhou o jeito que eu me colocava diante dessas percepções. Ela acompanhava as minhas mudanças e a forma como eu me via no mundo. Eu expressava minhas proteções e meus desejos através daquilo que eu vestia. Mais larga ou mais apertada. Com mais masculinidade ou mais feminilidade. Mais curta ou mais longa. Com mais cor ou menos cor. A meia. O boné. Eu vestia meu corpo físico como forma silenciosa de expressar meu espírito, enquanto eu não tinha recursos para dar à minha voz o tom necessário.
Foi assim que passei a entender que a moda, em mim, era mais do que tecido e caimento, é narrativa. Decidi estudar essa linguagem a fundo, e hoje curso Design de Moda na FAAP, onde venho transformando essa percepção em técnica, e o silêncio em projeto.
No meu primeiro ano de faculdade participei da Semana de Moda de São Paulo, e logo depois, iniciei meu estágio na Marina Bitu. Marina e Cecília me ensinaram o que é de fato construir roupa e comunicar marca com as nossas raízes. Nesse mesmo período, abracei meu primeiro trabalho autoral, quando participei do projeto da Sou de Algodão, em parceria com a Casa de Criadores, e apresentei minha coleção autoral, desenhada e confeccionada por mim, a partir da tradução da minha narrativa na técnica de cianotipia. Foi também nesse caminho que fui me posicionando no mercado, através de desfiles como Marina Bitu, Foz, Sou de Algodão e Ventana, editoriais para a Harper's Bazaar Equador e Elle Baltic, e campanhas para Bako Cosmetics em parceria com Mateos Quadros.

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